terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Minha euforia

Não quero nada que me retire a euforia necessária, sob medida com o poder da criação, para que eu esteja sempre à merce de mim mesma... Minha mente é única. Unicamente.

Agradando-me de mim



Não me importa se você não gosta dos meus cabelos unhas piercing tatuagem brincos trajes. Não importa se meu agrado não lhe agrada. Não me importa mais porque o agrado não traz amor. Cansei de você me dizendo se estou assim demais ou assim de menos. Deixa que eu esteja como estou, porque o é o que sou. E eu me agrado.

Ser feliz

"Então.... a regra é: se respeitar, buscar respeitar os outros, 
não fazer mal a ninguém...e se sentir bem" Fer Marmé

sábado, 20 de dezembro de 2014

Só queria

Eu só queria estar apaixonada...
Apenas uma emoção a mais.
Uma euforia.
Qualquer coisa que me tirasse da mesmice desta melancolia...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Saudades do que não fui - Carta aberta a Giovanna Meira

Gostaria de ser exemplo para você, mas provavelmente o tempo, o vento que nos cerca, qualquer mentira ou verdade, seus pais, os meus, nossos tios, não permitiriam. Você é uma das pessoas mais extraordinárias que conheço. Tenho inveja de quem realmente tem incidência na sua alma, menina. Você me dá saudades do que não fui. Sua vivacidade e espontaneidade são invejáveis. Isto sim é brilho. E você, menina, tem brilho nos olhos, aqueles mesmos que são as janelas da alma. E o que lhe torna particularmente adorável é essa bagunça toda na sua gaveta, na bolsa do Bolshoi, na cama, na sala, na cozinha, por onde você passa. Você deixa um rastro. É não se importar com o rabo de cabelo de lado, com a meia desfiada do balé, ou de ir de chinelo na aula de inglês. É o saborear todos os sapatos e bolsas e vestidos que você ainda não tem. Eu realmente queria ser você. Assim, descompassada e displicente. Com sorriso imenso pra tudo, explosões momentâneas, loucamente disciplinada. Você é a hora que quer. A fala de todos, contadora de histórias. Nunca deixem que toquem na sua delicada ingenuidade, criança, porque isso sim dói. Não espere que lhe compreendam. Corra atrás dos seus sonhos. Voe alto. Desobedeça o mundo, mas faça-me o favor de ser feliz.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

E daí?


Ei! E daí que você me faz bem mesmo assim, de tão longe? Há coisas que nos aproximam. E não é foto de eu pensar que talvez, em uma outra encarnação, tenhamos sido irmão, primos, amigos, soldados de um mesmo batalhão, pierrot e colombina (mas este é meu lado drummoniano falando)... Tem algo que nos une e são as afinidades e o respeito. E daí? Que problema há se eu te admiro? Admiro quem é e o bem que me faz saber de alguém assim, pra mim tão perto. Porque as palavras se completam, o desejo de se galgue os louros da vida é mútuo, entre otras cositas más. Pra quem já se rastejou na lama da vida desde tão cedo e depois de tantas humilhações conseguiu estar em pé, o fato de admirar o outro é uma glória. Eu quase morri, e enxergo as coisas diferentes porque hoje eu tenho sede de vida. Eu vibro a cada centímetro de vitória, cada amigo, cada palavra bela dita por alguém que parece me admirar também. E daí? Não é por isso que eu deixo de ter a consciência exata do meu tamanho inexpressivo. Para mim você é especial, como um pacote de balas sortidas. Tem sabores da minha preferência, e aqueles que eu não gosto muito e ainda assim são doces com um fundo azedo-amargo. E daí? E eu poderia fazer a lista extensa das suas qualidades sem idealizações. Sem tomar pra mim. E o mais bonito é que você voa, mas vez por outra pousa no meu ombro, nem que seja pra relembrar bons momentos. Agora, deixa eu sair de mansinho sem ranger a porta porque o cheiro do orvalho me chama e hoje não perco por nada o nascer do sol.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Apenas Um Dia



Um dia sem complicações
Um dia sem preocupações
Um dia sem reparações
Apenas um dia
Um dia de descanso
Sem acasos
Sem descasos
Um dia pra ser tomada no colo e levada pra cama
Um dia inteirinho na cama, assim pra ficar inteira
Um dia de sono completo até a reparação da alma
Um dia de carinhos nos cabelos sem pentear num dia sem pentear os cabelos
Um dia pra receber sorrisos
Um dia pra receber abraços
Um dia de beijos por todas as partes
Apenas um dia
Um dia sem cansaço
Sem obrigações
Sem prazos a cumprir
Sem contas a pagar
Sem pressa de chegar num dia pra não chegar a lugar algum
Um dia assim quieta
Um dia pra falar belezas
Um dia pra ser ouvida
Um dia pra ser vista, admirada, mirada, esculpida com o olhar
Um dia pra escutar elogios
Um dia de declarações de amor
Um dia de receptividade
Um dia sem palavras, dia do olho no olho e amor no coração
Apenas um dia
Sem compreensões
Sem compensações
Sem comparações
Sem cobranças
Sem redenção
Sem justificativas
Apenas com o que eu posso dar de melhor
Apenas com o que eu preciso receber
Apenas um dia

Agradecimentos



Agradeço a todas as pessoas que não estiveram comigo durante esse ano, por me considerar menos que elas, por não aceitarem minhas escolhas, por discordarem das minhas atitudes e por provarem por essas e outras que não me amam, ou o sentem da maneira mais rasa que um ser humano pode sentir. Obrigada, porque sem vocês tenho sido forte e a cada dia gerado a mim mesma, renascido, podendo fazer novas escolhas apesar da saudade, confesso.
Agradeço aquelas pessoas que me veem a cabeça nestas datas festivas que eu pouco festejo, por um sofrimento imensurável, por momentos que não esqueço. Agradeço porque tenho superado abusos de uma maneira impressionantemente grandiosa.
Agradeço a quem me desconsidera meus puros sentimentos por razões que eu desconheço e não consigo entender sinceramente, agradeço a ignorância e o desprezo. Agradeço porque "o tempo é senhor dos enganos", e depois de períodos de crise sem vocês, e da mesma ausência em meio a outras dores, a transparência se faz forte em relação a quem são as pessoas e ao o que elas podem nos oferecer.
Agradeço as contrapartidas da vida.
Agradeço aos que me estenderam a mão pouco me conhecendo...
Agradeço aos que me perdoaram as dívidas...
Agradeço aos que me ouviram chorar sem julgar a minha dor, sem exigir que eu parasse, sem diminuir meu coração ainda mais...
Agradeço aos que estão na expectativa da minha vitória e do meu crescimento e sei que minha torcida é pequena...
Agradeço aos que mesmo distante preocuparam-se e preocupam-se...
Agradeço os abraços não dados, mas verdadeiramente desejados...
Agradeço ao amor verdadeiramente sentido, ao carinho dado, ao ombro amigo sem hora, sem tempo, sem necessidade de troca...
Agradeço aos que conseguiram, ainda que com muito custo, aceitar quem eu sou. Ainda mais a quem conseguiu me amar, "apesar do que eu sou"...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Café com Sting


Quero pular na sua cama, descobrir o frio calçando suas meias, descobrir seus pés e derrubar a sua xícara de café. É, eu quero derrubar todo seu café a não ser que você deixe que o café seja eu. Que seja eu o pó sabor extra forte. Quero me liquefazer na sua água quase fervendo. Ser o cheiro gostoso da manhã. O primeiro cheiro. A primeira lembrança do dia. Lembrança amarga e doce na boca... Repedida. Quero queimar a sua língua sendo saborosa. Certo mesmo seria se eu fosse a música escolhida para acompanhar o café derramado. Escolhida a dedo, a melhor canção, a primeira do dia, arranhada na mente o restante da noite. Arranhando a pele, o ouvido no tempo necessário, bem afinado, desafiadoramente. Que eu seja as cordas desafinadas. Desafio você a me afinar, no melhor que puder ser e tirar o melhor som do meu corpo. A melhor escala aquecendo seus dedos. Em bemol melódico e dolorido num gostoso dedilhado, apurado e firme e tenso e denso... Deixe Sting como a segunda canção....

Agora sei


Não foi com um beijo demorado na testa, ou abraço e não foi a lembrança distante do teu colo gentil e maternal. Não foi com carinho. Não foi com cuidado. Não foi pela delicadeza das palavras de conversas que não tivemos e que guardo no peito até hoje. Não foi com um bonito poema, ou uma linda declaração. Não foi quando ganhei o presente inesquecível e nem quando me chamava de presente, porque Cavalos de Troia também o são. Não foi quando deixei de ouvir algo que talvez ouviria, ou talvez não, ou sei lá o que dentro do seu olhar enigmático para mim tão cortante que me fazia fechar os olhos de medo. Não foi pela ternura ausente no olhar ausente. Não foi com 5 nem com 15 e muito menos com 20. Não foi no pior dia da minha vida. Não foi enquanto me ausentei. Não foi por promessa alguma. Foi depois de um tempo tão longo sem beijo e sem colo. Depois de lembranças da sua aspereza tão dolorida em mim. Depois de olhares acusadores, inquisidores, perturbadores que talvez fossem apenas tristeza. Mas apenas talvez. Foram longos anos de uma dúvida que quase me levou a morte e que me salvou a vida. Foi exatamente e somente quando você me disse: “Eu vou te buscar”. Eu, 30 anos esperando uma demonstração clara da sua intenção real, descobri, tomei consciência de que você me amava verdadeiramente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A verdade está cá dentro

“Conhecereis a verdade
E a verdade vos libertará”
Bíblia Sagrada

Eu pensei que nunca mais olharia nos olhos de quem quer que fosse, pensei não ter a altura da dignidade de se olhar nos olhos porque os meus estavam banhados de vergonha. E por isso, não tive mais coragem de levantar os olhos, de levantar da cama, de sair de casa, de dar bom dia ao desconhecido, de dar um abraço, de receber carinho. Pensei que não receberia.
Pensei que ignoraria o sol eternamente, e a chuva, e o a azul e a pipa colorida longe, lembrança da infância singela. Pensei que fecharia o coração para sempre. Vez por outra pedia intimamente a minha boneca Maria, boneca de pano, companheira. Desejei tanto uma boneca...
Pensei que não coloriria mais, nem veria velhos ou novos amigos ou brincaria de coisa alguma e que o perdão seria um brilho distante. Nada de sorrisos.
Pensei que nunca mais falaria de minhas dores reais, que não mostraria minhas feridas e que por isso deveria ferir-me mais e mais e mais. Ninguém seria capaz de ouvir, ninguém poderia ouvir, ninguém estaria disposto a mim.
Pensei que não seria bonita, ou apreciada. Pensei que seria incapaz de dançar ou fazer par. E que seria desumano se eu cantasse ou demonstrasse qualquer traço de felicidade.
Quase enlouquecendo de tanto pensar em tanto pesar, sem olhar nos olhos de ninguém, sem levantar da cama, muito menos dar bons dias ou abraços, ou ver o sol ou a chuva, ou as cores ou o perdão, ou a boneca. Soterrada em dores, rancores e ruminações, sem dança, sem par, sem beleza.
Até lembrar... até resgatar a força necessária de saber o significado verdadeiro da dignidade e humanidade. O restante veio aos poucos, enquanto minha mente confusa e forte pensava em morte, arranquei a vida de mim. E vislumbrei que poderia ter e fazer o que amo...
O nunca mais dilui-se com o sempre... sempre há uma esperança. O mais difícil foi perdoar e não, isto não me libertou, apenas deixou-me mais leve. A verdade, esta sim me deu asas.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Solte o manche...



 











Solte o manche e tudo estabiliza-se no momento da pane.

Durma a primeira de todas as noites gostosas que virão e nem precisa ser no melhor dos sonhos, é a melhor realidade.

Descanse em paz respirando fundo e vivendo a paz, e aproveite as estrelas, a lua ou a chuva. Que o céu seja majestoso e poderoso da maneira que esteja.

Solte o manche que você não vai cair, vai continuar no ar. Existem forças físicas e uma aerodinâmica que são maiores que a força do seu braço.

Sinta o gosto do sol da manhã periciando a pele numa ardência gostosa. Deixe o sol entrar. Aprecie a brisa. Converse com o vento, encontre a corrente contrária e diga a ela o melhor que puder dizer. Ouça.

Mergulhe, pule, nade livremente. Fique na água até que a pele enrugue. Pise na areia sentindo cada grão. Olhe para o mar e ria ou chore com ele. Entenda a natureza da vida... A energia da mudança da maré. A água que é cortada por águas doces sedentas que percorreram longínquos caminhos sob a terra. Apreenda o mar e aprenda.

Sinta-se livre. Proteja-se. Ame. Dance. Cante. Descubra-se.

Escreva na parede, desenhe a moça de fita, regue as plantas todas e agradeça a sombra da árvore frondosa. Deixe que as folhas caiam e observe atento como nascem outras ainda mais verdes.

Não contenha-se. Espalhe, derrame, transborde. Renasça.

Solte o manche, o leme, o freio. Se “a vida tiver vontade própria”, então que seja ao seu favor.

domingo, 23 de novembro de 2014

Depois de fechar a porta (Não se afobe)


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Minha boca combina com a sua, se encaixa perfeitamente, precisa com urgência, mas não se afoga ou mesmo se afoba. Precisa sem pressa - com licença, Chico – um beijo que espera milênios, milênios, milênios, uma boca perdida neste desejo... Nada é pra já, mas minha boca combina com a sua, se encaixa na sua, tem urgência, e mergulha sem a necessidade de escafandro ou de outrem que nos una, porque elas simplesmente se aproximam e fim, enfim sem cartas e fugindo de qualquer silêncio, gritando em sussurros por qualquer fresta que encontre. Desculpe Chico, ainda que o planeta torne-se água não precisarei de mergulhadores, sábios, poetas. Um beijo não se fragmenta e minha única necessidade é da sua boca, num beijo como aquele, depois que a porta se fechou e dissemos “oi” um ao outro.