sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Café com Sting


Quero pular na sua cama, descobrir o frio calçando suas meias, descobrir seus pés e derrubar a sua xícara de café. É, eu quero derrubar todo seu café a não ser que você deixe que o café seja eu. Que seja eu o pó sabor extra forte. Quero me liquefazer na sua água quase fervendo. Ser o cheiro gostoso da manhã. O primeiro cheiro. A primeira lembrança do dia. Lembrança amarga e doce na boca... Repedida. Quero queimar a sua língua sendo saborosa. Certo mesmo seria se eu fosse a música escolhida para acompanhar o café derramado. Escolhida a dedo, a melhor canção, a primeira do dia, arranhada na mente o restante da noite. Arranhando a pele, o ouvido no tempo necessário, bem afinado, desafiadoramente. Que eu seja as cordas desafinadas. Desafio você a me afinar, no melhor que puder ser e tirar o melhor som do meu corpo. A melhor escala aquecendo seus dedos. Em bemol melódico e dolorido num gostoso dedilhado, apurado e firme e tenso e denso... Deixe Sting como a segunda canção....

Agora sei


Não foi com um beijo demorado na testa, ou abraço e não foi a lembrança distante do teu colo gentil e maternal. Não foi com carinho. Não foi com cuidado. Não foi pela delicadeza das palavras de conversas que não tivemos e que guardo no peito até hoje. Não foi com um bonito poema, ou uma linda declaração. Não foi quando ganhei o presente inesquecível e nem quando me chamava de presente, porque Cavalos de Troia também o são. Não foi quando deixei de ouvir algo que talvez ouviria, ou talvez não, ou sei lá o que dentro do seu olhar enigmático para mim tão cortante que me fazia fechar os olhos de medo. Não foi pela ternura ausente no olhar ausente. Não foi com 5 nem com 15 e muito menos com 20. Não foi no pior dia da minha vida. Não foi enquanto me ausentei. Não foi por promessa alguma. Foi depois de um tempo tão longo sem beijo e sem colo. Depois de lembranças da sua aspereza tão dolorida em mim. Depois de olhares acusadores, inquisidores, perturbadores que talvez fossem apenas tristeza. Mas apenas talvez. Foram longos anos de uma dúvida que quase me levou a morte e que me salvou a vida. Foi exatamente e somente quando você me disse: “Eu vou te buscar”. Eu, 30 anos esperando uma demonstração clara da sua intenção real, descobri, tomei consciência de que você me amava verdadeiramente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A verdade está cá dentro

“Conhecereis a verdade
E a verdade vos libertará”
Bíblia Sagrada

Eu pensei que nunca mais olharia nos olhos de quem quer que fosse, pensei não ter a altura da dignidade de se olhar nos olhos porque os meus estavam banhados de vergonha. E por isso, não tive mais coragem de levantar os olhos, de levantar da cama, de sair de casa, de dar bom dia ao desconhecido, de dar um abraço, de receber carinho. Pensei que não receberia.
Pensei que ignoraria o sol eternamente, e a chuva, e o a azul e a pipa colorida longe, lembrança da infância singela. Pensei que fecharia o coração para sempre. Vez por outra pedia intimamente a minha boneca Maria, boneca de pano, companheira. Desejei tanto uma boneca...
Pensei que não coloriria mais, nem veria velhos ou novos amigos ou brincaria de coisa alguma e que o perdão seria um brilho distante. Nada de sorrisos.
Pensei que nunca mais falaria de minhas dores reais, que não mostraria minhas feridas e que por isso deveria ferir-me mais e mais e mais. Ninguém seria capaz de ouvir, ninguém poderia ouvir, ninguém estaria disposto a mim.
Pensei que não seria bonita, ou apreciada. Pensei que seria incapaz de dançar ou fazer par. E que seria desumano se eu cantasse ou demonstrasse qualquer traço de felicidade.
Quase enlouquecendo de tanto pensar em tanto pesar, sem olhar nos olhos de ninguém, sem levantar da cama, muito menos dar bons dias ou abraços, ou ver o sol ou a chuva, ou as cores ou o perdão, ou a boneca. Soterrada em dores, rancores e ruminações, sem dança, sem par, sem beleza.
Até lembrar... até resgatar a força necessária de saber o significado verdadeiro da dignidade e humanidade. O restante veio aos poucos, enquanto minha mente confusa e forte pensava em morte, arranquei a vida de mim. E vislumbrei que poderia ter e fazer o que amo...
O nunca mais dilui-se com o sempre... sempre há uma esperança. O mais difícil foi perdoar e não, isto não me libertou, apenas deixou-me mais leve. A verdade, esta sim me deu asas.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Solte o manche...



 











Solte o manche e tudo estabiliza-se no momento da pane.

Durma a primeira de todas as noites gostosas que virão e nem precisa ser no melhor dos sonhos, é a melhor realidade.

Descanse em paz respirando fundo e vivendo a paz, e aproveite as estrelas, a lua ou a chuva. Que o céu seja majestoso e poderoso da maneira que esteja.

Solte o manche que você não vai cair, vai continuar no ar. Existem forças físicas e uma aerodinâmica que são maiores que a força do seu braço.

Sinta o gosto do sol da manhã periciando a pele numa ardência gostosa. Deixe o sol entrar. Aprecie a brisa. Converse com o vento, encontre a corrente contrária e diga a ela o melhor que puder dizer. Ouça.

Mergulhe, pule, nade livremente. Fique na água até que a pele enrugue. Pise na areia sentindo cada grão. Olhe para o mar e ria ou chore com ele. Entenda a natureza da vida... A energia da mudança da maré. A água que é cortada por águas doces sedentas que percorreram longínquos caminhos sob a terra. Apreenda o mar e aprenda.

Sinta-se livre. Proteja-se. Ame. Dance. Cante. Descubra-se.

Escreva na parede, desenhe a moça de fita, regue as plantas todas e agradeça a sombra da árvore frondosa. Deixe que as folhas caiam e observe atento como nascem outras ainda mais verdes.

Não contenha-se. Espalhe, derrame, transborde. Renasça.

Solte o manche, o leme, o freio. Se “a vida tiver vontade própria”, então que seja ao seu favor.

domingo, 23 de novembro de 2014

Depois de fechar a porta (Não se afobe)


Minha boca combina com a sua, se encaixa perfeitamente, precisa com urgência, mas não se afoga ou mesmo se afoba. Precisa sem pressa - com licença, Chico – um beijo que espera milênios, milênios, milênios, uma boca perdida neste desejo... Nada é pra já, mas minha boca combina com a sua, se encaixa na sua, tem urgência, e mergulha sem a necessidade de escafandro ou de outrem que nos una, porque elas simplesmente se aproximam e fim, enfim sem cartas e fugindo de qualquer silêncio, gritando em sussurros por qualquer fresta que encontre. Desculpe Chico, ainda que o planeta torne-se água não precisarei de mergulhadores, sábios, poetas. Um beijo não se fragmenta e minha única necessidade é da sua boca, num beijo como aquele, depois que a porta se fechou e dissemos “oi” um ao outro.  

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Palavras

Gostoso ouvir que você sempre quis dizer o que disse, o que diz, o que jamais quero que pare de dizer, o que jamais quero parar de ouvir...