segunda-feira, 4 de julho de 2011

Para Cláudia Carnevskis


A lembrança mais forte que tenho de você é a do chá mate. Aqueles colchões, tão atrativos para mim depois de um dia todo de clínica e remédios... Eu nem sabia como havia sido o seu dia, egoísmo meu. Mas você perdia o seu tempo e fazia um chá mate improvisado no fogão da ocupação da faculdade. Quentinho, doce, delicioso. Não sei se já lhe disse, mas o seu chá mate foi o único de toda a minha vida, porque era mais que chá, era carinho. Eu nem gosto de chá, e nego quando alguém me oferece. Mas tenho saudade do seu e admiração pelo seu gesto...
Obrigada.

Erros exatos

Não, eu não sou a melhor pessoa do mundo. Pelo contrário, estou há milhas disso. Cometo erros triviais, imensuráveis, incorrigíveis, até banais. Mas vou pedir perdão, a não ser a mim mesma por ter passado a vida acreditando que errar é subumano. Quem conseguiria sobreviver a carga de fazer o certo eternamente para merecer um doce, um abraço, um amigo, um amor, o céu?
Agora sei que posso errar, e vou errar, estejam cientes. E posso não no sentido de possibilidade, mas no de permissão inviolável. Sim, porque me amarão, assim toda torta e sem jeito. Não é que eu não queira acertar, nem que não pratique acertos, mas cansei das tolices de amargamente querer ser e  fazer o melhor para ter e acabar me ferindo. Quero e devo ser o melhor pra mim, porque apenas desta forma o serei para quem quer que seja.
Ninguém sabe e nem jamais soube dos meus intentos. Ninguém tem culpa das loucuras dolorosas e feridas insanas que me fiz. Agora sinto uma alegria louca, uma vontade de carregar uma parte do mundo nos braços, mas sei que não suporto. E não é para ter, mas para agradecer as ofertas ocultas de vida. Aos poucos também ofereço carinho, mas também nego. Menina má? É, vez por outra serei, não para sair da mesmice do correto, mas para não esquecer que vida ainda dói e vai doer. Saber dizer não e sim no momento exato. E errar, se for o caso, errar de novo.
Continuarei errando de maneira graciosa a ponto de apaixonarem-se pelos meus tropeço, como tem acontecido. Tenho me deliciado em errar. Errar é sublime. Acertos todos tentam o tempo inteiro, matam-se por ele e matam por ele. Mas eu sei que vou acertar por tanto errar e cair e rir de tudo isso. A vida abre mil estradas para mim e posso estar no caminho errado, mas jamais direi que não vi flores, que não amei, que não sofri por um sentimento nobre, que não aprendi com algo torpe vindo de mim e que não ofertei tudo o que poderia, por pensar apenas no acerto. A vida vai, passa e acaba. Dos erros ficam as cicatrizes e as lembranças dos doces presentes que apenas quem errou pode saborear, mesmo aquele chantilly regado a terra, logo após o tombo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pedaços

Eu não sei em quantos pedaços o seu coração se partiu. Mas, por favor, não me mostre os cacos dizendo a todo instante que fui eu e exigindo (sim, de certa forma, exigindo) que eu os cole. Eu não atirei uma pedra no seu coração de vitral belo e puro.
É que meu coração já estava partido há tanto tempo que percebi que poderia machucar você com os meus cacos. E já estava machucando a cada resposta ríspida, suspirar cansado, sorriso inexistente, pulsar dolorido do peito, quase ausência de respiração: tristeza.
Agora, um misto de sei lá o quê e nem por quê sente culpa. Culpa por esses pedaços todos de inclinações perdidas, risos tão diferentes, necessidades sufocadas... Mágoa que virou ressentimento. É por isso que estou infeliz.

Leve

Que a vida me leve leve e releve todos os apesares e pesares dos pesos que levo.
Que a poeira do vento encontre minhas costas nuas e que o tempo escorregue das mãos e vá e dê um tempo antes de voltar enquanto as estrelas brilham, os abraços abraçam e os beijos beijam.
Principalmente, que os beijos beijem.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Entre o medo e o desejo

Eu tenho medo do escuro, mas também não quero cortinas abertas porque a luz pelas frestas parece ferir meus olhos. Mas saio pela noite, percorro madrugadas desejando holofotes e letras em neon e esperando o sol nascer. E quando sinto o primeiro calor da estrela próxima, dou-lhe as costas para esconder novamente o rosto, o corpo, a alma. Eu sei que a luz não me cega, mas é difícil habituar-me a ela. Tem que ser devagar... Um pouquinho num dia, outro tanto no outro, abrindo um olho de cada vez, espremendo as pálpebras como quem sente dor. Mas tenho saído para assistir todos os pores de sol e ganho de presente nuances amarelas, laranjas, vermelhas. Cores alegres que me alegram. Cores que me sorriem. E ainda tenho medo. Talvez seja porque vivi num tempo nublado e cinza, sem a possibilidade de escolher os sabores da luz, que são tantos. Bebi uma vida de escuro viciante, mas cada nascer do sol me desintoxica um pouco. A felicidade assusta e chama como se fosse chama. E eu quero esse calor. Já não ouço quem diga que o fogo queima. Quando definitivamente abrir os olhos, mergulho no fogo... Onde quer que ele esteja...

quarta-feira, 8 de junho de 2011