Mulher imponente de olhos enigmáticos. Sinto-me quase como Capitu e seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Sempre quis ter os olhos de ressaca de Capitu, mas olhares não se fabricam... Entretanto lá vêm eles a dizer que meus olhos são misteriosos e que sou majestosa. Eu quando realmente quero olhar como mar bravio que afoga, transformo-me numa água mansa, quase a fechar os olhos... Não sou impiedosa, preciso de piedade.
Sim, alguém iria ignorar-me, mas por que você? Tanta frieza e ausência de gestos com qualquer sentimento que seja. Não consegue ver um quê sequer de beleza em mim que possa ser apreciado? Você reduz meu olhar, desejado por tantos, a uma insignificância. Enquanto espero ansiosamente por sua presença, percebo que sou obrigação aos seus olhos quando me vêem. Você parece respirar fundo por ser obrigado a me olhar. E nem me olha, como se a sedução intrínseca a mim, tão disputada, para você fosse lixo.
Você tem a sua vida e eu gostaria de deixá-lo viver em paz. Mas eu quero tirar a sua paz – e tirar as arestas restantes – dando-lhe paixão. É, paixão mesmo. Estou cansada de inventar palavras para sentimentos. Eu tenho a minha vida também, mas gostaria de deixá-la para viver a sua, estar com você, por alguns instantes ouvir sua grave voz tão baixa e arrastada no meu ouvido. Sei construir momentos inesquecíveis. Será apenas um momento, não se esquive. Não sou exigente, há um mundo que me espera num tempo infinito e sei que posso tanto... Mas quero você, antes de mais nada.
Desejo coisas tolas como roçar meu rosto no seu peito. Peito tocado por outras até então, realizado pelo seu desejo. Mas você me cumprimenta com os dedos, mal aperta minha mão, como se não me conhecesse, ou como se preferisse não me conhecer. Deve estar apaixonado, vivendo um romance, amando desesperadamente outra mulher, enquanto eu espero o que você não quer que eu queira. Ou pior, o que tanto faz... Ah, isso dói, menino, e como.
Elaborar frustrações e ressignificar a vida para não mais sobreviver. Para viver.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Pirei em você
Parei na tua, rapazinho. Não deu. Teu sorriso amarrado me seduziu e eu não sei o que faço. Vidrei na tua, irmãozinho. Teu olhar que não me olha me abandona o corpo. Me olha com preguiça, lindo, mas olha. Eu tô louca porque é só na tua boca que eu penso, é só ela que eu quero - eu até olho pra outras tentando desejar. Que é que há nessa boca, me deixa saber, moleque? Faz assim, não. Tu tem um tudo que me aquece e me derruba sem encostar um dedo sequer no meu corpo. Mas me deixa te provar... Por que tu me faz pensar que teu olhar me chama, se a chama é só minha? Brinca assim comigo não. Eu piro só de te olhar... Por que tu não faz o resto? É com loucura mesmo, com toda loucura do mundo, que se dane o mundo. Depois tu vê o que faz, escolhe o que quer, quem quer, fica com todo o resto que te quer, mas antes me beija, me abraça, me faz feliz por um segundo acalmando isso que vibra de olhar pra ti. Depois, depois é depois. Eu nem quero saber. Te quero, e só.
domingo, 8 de maio de 2011
Onde você estava?
Onde ela estava? - fizeram a pergunta. Onde estava sua mãe? – tornaram a perguntar. A princípio doeu só de leve porque lembro de sua presença. Mas, depois de algum tempo perguntei chorando “onde você estava?” Sei que esteve em lugares ocultos, eu não a via enquanto me observava. Esteve também enquanto eu via, quando eu falava, quando não me escondia. Como somos parecidas... Mas, ainda assim, quando no esconderijo, por que não me procurou, onde você estava? Sei que me carregou nos braços, enxugou minhas lágrimas com aquelas mãos do tamanho do meu rosto, penteou meus cabelos tentando deixá-los em ordem, deu-me todos os xaropes necessários. E fica a dúvida de onde estava você enquanto meu coração se partia. Sei que esteve no quarto ao lado, e penso que vez por outra olhou pela brecha da porta. Mas, onde você estava? Que espécie de lentes eram aquelas que você usou e por isso não me viu tão bem? E por que as deixou num lugar tão baixo, ao alcance das crianças, onde eu as pudesse encontrar e usá-las, imitando sua atitude adulta. Passei a ver com seus olhos. E já não vi você nem mais nada. E não sabia mais onde eu estava. Não sei onde você estava, apenas sinto uma falta tão poderosa de anos a fio que ainda me fazem chorar, mesmo sabendo hoje onde encontrar você. Só não sei procurar, buscar, pedir que fique, tudo porque não vi onde você estava.
Pare com isso de culpa porque eu já não a busco. Sou consciente das limitações e acabei descobrindo que você estava em si, no meio de suas muitas dores. Como somos parecidas... E vejo-me agora, culpando-me, chorando, por saber onde você está e não saber amparar quando posso ou quando devo, ou simplesmente não querer ao menos olhar, perdida num não querer de raiva, solidão e paralisia inútil. Eu amo você e a cravei com pregos rústicos em meu peito consertado por minhas próprias mãos, jamais a perderei. Queria que você tivesse feito o conserto por mim, neste peito de costuras sem arremates, de remendos, materiais diversos e substâncias que estancam o sangue. Penso que seriam menos marcas ou cicatrizes, menos danos depois de tantas perdas. Mas talvez se o fizesse, esquecesse de colocar a si mesma no meu coração. Talvez seja essa a razão de eu ter sofrido tanto, ter você dentro de mim. Onde você estava, não importa? Que vou procurar no passado? Mesmo que já não esteja, estará pregada em mim, é o que faz o desespero, mais do que o amor. Eu a amo desesperadamente.
Pare com isso de culpa porque eu já não a busco. Sou consciente das limitações e acabei descobrindo que você estava em si, no meio de suas muitas dores. Como somos parecidas... E vejo-me agora, culpando-me, chorando, por saber onde você está e não saber amparar quando posso ou quando devo, ou simplesmente não querer ao menos olhar, perdida num não querer de raiva, solidão e paralisia inútil. Eu amo você e a cravei com pregos rústicos em meu peito consertado por minhas próprias mãos, jamais a perderei. Queria que você tivesse feito o conserto por mim, neste peito de costuras sem arremates, de remendos, materiais diversos e substâncias que estancam o sangue. Penso que seriam menos marcas ou cicatrizes, menos danos depois de tantas perdas. Mas talvez se o fizesse, esquecesse de colocar a si mesma no meu coração. Talvez seja essa a razão de eu ter sofrido tanto, ter você dentro de mim. Onde você estava, não importa? Que vou procurar no passado? Mesmo que já não esteja, estará pregada em mim, é o que faz o desespero, mais do que o amor. Eu a amo desesperadamente.
sábado, 7 de maio de 2011
Se digo que não quero é porque quero
Loucura pensar em você neste minuto e no próximo, ou mesmo daqui a pouquinho. Mas penso, e ao mesmo tempo sinto um prazer inexorável. E quando penso em não pensar já estou pensando, pois assim deveria ser com o não segurar a sua mão no tempo de uma breve em Adagio, assim deveria ser com o não abraçar você embrulhada no seu moletom e sendo a sua segunda pele, assim deveria ser com o beijo que não vai acontecer... As negativas deveriam ser sonhos, os desejos, pelo menos possibilidades. Os meus quereres conscientes de não pertencerem a você deveriam ser transportados para o seu coração, através dos nossos olhares, ainda que fossem aos pedaços. Pequenos pedaços estilhaçados e quase irreconhecíveis, mas eu estaria em você.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Porta na cara
Odeio bancar a imbecil quando me importo, colho as flores que plantei, parto para entrega-las e sou recebida com uma pancada da porta na cara. Certo, não posso obrigar ninguém a se importar porque me importo e talvez essa sentimentalidade toda não convença. Mas receber flores não machuca, então receba, ainda que seja para joga-las fora. Não quero entrar para tomar um chá, não quero dividir, quero doar apenas. Ser amável e ir embora. Triste é não receberem as flores por pensarem que quero algo em troca. Porta na cara, buquê na mão, sentindo-me uma idiota. Abandono as flores e levo a sensação da preferência da agressividade e do fazer sofrer enquanto se sofre. Tolice querer distribuir flores. Tolice pensar que se pode levar segundos de alívio com o cheiro e as cores dos tolos lírios, das bobas violetas, das orquídeas abestalhadas.
Bagunça
Alguma coisa em você bagunçou algo aqui dentro. Mas, eu não quero que você saiba. É claro que um pouco disso é o medo da rejeição. Mas outro pouco quer simplesmente se apaixonar num esconderijo, num quarto escuro que me impeça de expor minha pele a um sentimento e impor a minha carne uma busca insana. Então, não quero saber se é verdade o susto que leva meu coração pulsando tão agitado quando se depara com você, e nem se é esse pulsar que impede a profundidade honesta do meu olhar nos seus olhos. Nem de você quero saber, da sua história, do que lhe vai por dentro, e vou tentar evitar o que lhe cerca. Mas esse tumulto interior pede que ao menos eu sinta silenciosamente esse pandemônio todo que grita seu nome, ainda que eu não sinta você além do meu sentido perturbado. E se meu esconderijo for inútil e você perceba o meu sentido e se ria e se inflame de orgulho de si, visto minha máscara de "não me importo" ou a outra de "isso não é comigo". E enquanto meu coração desarranja, vamos nos cruzando para que eu me esvazie de expectativas, esperanças e vislumbres. E ao mesmo tempo, me preencha de um não querer tantas coisas por pura falta de opção. E por desejo, porque mais do que intuitivamente, sei o nome dessa bagunça toda: DESEJO.
domingo, 1 de maio de 2011
(in) consequencias
Sou uma daquelas pessoas que se casaria numa igrejinha na beira da estrada...
Com alguém que conheci na beira da estrada...
Que diria não no altar...
Que pediria divórcio no dia seguinte...
Que sumiria na mesma semana...
Que viveria feliz num flet, amando quem me amasse, dividindo o pote de sorvete e brigando por causa do cachorro...
Capaz de amar agora e odiar no próximo segundo...
Capaz de perdoar a pior traição para não ficar só...
Capaz de recordar o erro mais tolo pra me livrar de alguém...
Sempre convicta de meus sentimentos e sempre duvidando da sombra de meus atos, se são frutos da minha impulsividade e intensidade...
Dificilmente paro pra pensar. Eu penso enquanto corro com pressa não sei do que e com medo de chegar onde quero.
Com alguém que conheci na beira da estrada...
Que diria não no altar...
Que pediria divórcio no dia seguinte...
Que sumiria na mesma semana...
Que viveria feliz num flet, amando quem me amasse, dividindo o pote de sorvete e brigando por causa do cachorro...
Capaz de amar agora e odiar no próximo segundo...
Capaz de perdoar a pior traição para não ficar só...
Capaz de recordar o erro mais tolo pra me livrar de alguém...
Sempre convicta de meus sentimentos e sempre duvidando da sombra de meus atos, se são frutos da minha impulsividade e intensidade...
Dificilmente paro pra pensar. Eu penso enquanto corro com pressa não sei do que e com medo de chegar onde quero.
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