Elaborar frustrações e ressignificar a vida para não mais sobreviver. Para viver.
sábado, 12 de março de 2011
Então?
Seus olhos enigmáticos não me disseram ou fiquei cega de emoção... Mas preciso saber, só para não me habituar a esse canto tão conhecido do meu pensamento.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Muda (Nem sei falar)
Embora esteja emplodindo, não consigo fazer poesia. Não tenho rima, não tenho ritmo, perdi os versos. As palavras fogem dos dedos, da boca e amontoam-se neste coração transbordantemente poético, mas calado. Coração que fervilha um sentimento de quase pureza de alma cheirando à pólvora, de um amontoado de pétalas brancas caindo de flores vermelhas, de uma estrada de espinhos presentes que sorriem. Espinhos tão preciosos que chegam a fazer cócegas no ventrículo direito do coração, talvez por isso eu nem respire. E vejam que enquanto minha mente encolhe a poesia, a vida vai me cercando dela. Chove para mim e eu bebo chuva, que se não lava a alma, encharca o ânimo do corpo doído, marcado e gostoso de tão cansado. Mesmo inexpressiva, como me sinto com esse coração tão mudo, levanto a cabeça para e molhar o rosto porque a chuva é toda minha. Porque quero dormir depois de ter encharcado a alma de um algo do céu que já estava em mim, de um algo meu que despertou neste agora de explosão de sentidos. Se você tem fogo, não chegue perto, a não ser que queira se queimar. Não, calma, ainda chove, e eu brinco porque queria fazer poesia. Enquanto não consigo, vou me escorrendo com os respingos - ou seria rastro de pólvora - e deixando minha marca, meu cheiro, minha pele pelo chão.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Cansaço
Cansada de estar cansada e de tentar consertar o cansaço com conversas desgastantes. Cansada de ouvir que minha voz pausada e quieta causa cansaço. Cansada da cobrança do riso. E nessa cansativa e repetitiva cobrança de riso, não vou sorrir. Vou continuar quieta porque estou cansada.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Samba rei
Ninguém vai gostar desse samba enredo descompassado e quieto. Samba que embrulha um choro engasgado e mudo. Samba que não vira riso ou dança. Samba que cansa, que é só poesia, que nem é samba.
Samba ausente que não é pra ser gostado. Samba que me deixa na cama, sem lençol e nua, balbuciando uma dor tão minha e crua. Samba que nem é poesia, que é só um samba que nem ousa ser samba porque com ele ninguém samba.
Mas eu lhe peço que jogue confete e serpentina nesse samba tolo e me faça rainha. Reescreva a poesia inventando alegria. Joque cetim na minha cama fria. me embrulhe e me faça feliz com tudo que você é, com o que eu sou e não sei.
Então deixo de lado esse samba enredo mudo e desembrulho a fala. Vou no seu compasso com meu coração quente e pra você eu rio e danço. Canto o seu samba e a sua poesia, assumo seu samba com toda ousadia. Assumo você como meu samba rei.
Samba ausente que não é pra ser gostado. Samba que me deixa na cama, sem lençol e nua, balbuciando uma dor tão minha e crua. Samba que nem é poesia, que é só um samba que nem ousa ser samba porque com ele ninguém samba.
Mas eu lhe peço que jogue confete e serpentina nesse samba tolo e me faça rainha. Reescreva a poesia inventando alegria. Joque cetim na minha cama fria. me embrulhe e me faça feliz com tudo que você é, com o que eu sou e não sei.
Então deixo de lado esse samba enredo mudo e desembrulho a fala. Vou no seu compasso com meu coração quente e pra você eu rio e danço. Canto o seu samba e a sua poesia, assumo seu samba com toda ousadia. Assumo você como meu samba rei.
sábado, 5 de março de 2011
Não quero me habituar
Como é que posso esquecer? Eu sei que passou, mas não está dando certo essa história de apagar lembranças. Eu sei que não sou mais aquela garotinha que na verdade eu nem sei quem foi. Mas como é que vou saber quem sou se não lembrar dela?
Não sofrer por ela, tudo bem. Vamos sepultá-la, cremá-la e jogar as cinzas no mar. Eu nem quero as cinzas do sofrimento, mas ela faz parte de algo que me entristece e que até me alegra. Preciso entendê-la porque a vida me confunde, não pelo que foi, estou falando do presente, deste concreto inexistente que sou eu. Porque às vezes penso que nem sou, e confundo-me perdida em pensamentos de alguma coisa perdida. No tempo? No espaço? Bem aqui na minha frente? Bem aqui dentro de mim?
Que novos hábitos preciso adquirir, afinal? Parar de pensar? Eu já não brinco de bonecas e pago as minhas contas. Seria o hábito de não sonhar? Eu sonho como uma garotinha? Como posso saber se sonho como uma garotinha se não lembro dos meus sonhos enterrados de garotinha. Mas não quero os sonhos antigos, quero estes de agora. Permitam-me sonhar sem dizer que exagero nos desejos. Por que não posso querer muito? Querer sempre muito. Querer todos os desejos. Acho as amenidades repulsivas. Não quero me habituar a amenidades.
Não sofrer por ela, tudo bem. Vamos sepultá-la, cremá-la e jogar as cinzas no mar. Eu nem quero as cinzas do sofrimento, mas ela faz parte de algo que me entristece e que até me alegra. Preciso entendê-la porque a vida me confunde, não pelo que foi, estou falando do presente, deste concreto inexistente que sou eu. Porque às vezes penso que nem sou, e confundo-me perdida em pensamentos de alguma coisa perdida. No tempo? No espaço? Bem aqui na minha frente? Bem aqui dentro de mim?
Que novos hábitos preciso adquirir, afinal? Parar de pensar? Eu já não brinco de bonecas e pago as minhas contas. Seria o hábito de não sonhar? Eu sonho como uma garotinha? Como posso saber se sonho como uma garotinha se não lembro dos meus sonhos enterrados de garotinha. Mas não quero os sonhos antigos, quero estes de agora. Permitam-me sonhar sem dizer que exagero nos desejos. Por que não posso querer muito? Querer sempre muito. Querer todos os desejos. Acho as amenidades repulsivas. Não quero me habituar a amenidades.
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Aprender a sorrir
Quem foi que me ensinou este choro? Foi o mesmo que em mim pôs esta dor? Quem foi que me ensinou a sorrir? Por que insistiu tão pouco? Por que não quis me encher de mais alegria e mais e mais? Pois cabia neste vazio todo. As pinturas rupestres deste coração são marcas de um desenho para o qual não quero olhar. Nem sei se são minhas as marcas vermelhas daquelas mãos. Para que preservar essa história?
Quero aprender a sorrir melhor. Quero um novo coração, e que seja jardim e não caverna. Quero plantar flores e não voltar à caça daquilo que nunca tive. Preciso plantar minhas flores. Meus jasmins delicados. Ter flores a oferecer. Cuidar do meu jardim para que você tenha prazer de estar comigo. Eu vou cuidar, eu prometo, porque quero mais do que apenas eu no meu coração.
Quero aprender a sorrir melhor. Quero um novo coração, e que seja jardim e não caverna. Quero plantar flores e não voltar à caça daquilo que nunca tive. Preciso plantar minhas flores. Meus jasmins delicados. Ter flores a oferecer. Cuidar do meu jardim para que você tenha prazer de estar comigo. Eu vou cuidar, eu prometo, porque quero mais do que apenas eu no meu coração.
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